Estava aqui pensando em como as coisas mudam todo o tempo, o tempo todo. Como faz sentido aquela conversa de que um dia não é igual ao outro, mesmo que se pareça, mesmo que esteja tão frio quanto, mesmo que você acorde na mesma hora e cumpra a mesma rotina.
De tempos em tempos eu fico assim melancólica, pensando em como tudo é efêmero, em como era a vida há um ano atrás. Nas pessoas que eu ainda nem conhecia e que hoje são essenciais e estão aqui escrevendo aquilo que vou ler daqui a um ano.
E nas essenciais que estavam tão perto e hoje fazem parte do há-um-ano-atrás.Meu chuveiro não é o mesmo, minha cama não é a mesma, nem a minha mesa do trabalho é a mesma. O número do celular que mudou, as músicas que eu escutava e estão perdidas nos CDs empoeirados na prateleira, as coisas que doeram tanto e perderam o sentido.Pelo caminho ficaram e-mails, histórias, saudades, pessoas, fotos, festas, noites em claro, caixas de mudança, roupas que não servem mais. Está tudo lá e não volta mais. Está tudo aqui e não cabe mais.
Hoje, agora, esse exato instante em que eu escrevo. Esses minutos em que você lê. Nunca mais serão iguais. Nunca mais seremos os mesmos.Daqui a um ano talvez esteja tudo igualmente diferente, diferentemente igual, não importa.
Vai ter mudado tanto, tanto, que por um instante tenho vontade de colocar a minha vida inteira debaixo do braço e ir embora para um lugar distante onde ninguém a tire de mim. Como se isso fosse possível.“A gente muda tanto que eu me pergunto o que é que sobrou de mim nisso tudo”.
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