quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Nuvens cinzas

Se você não é feliz provavelmente a culpa é sua.
Logo eu, que sempre achei um saco pessoas que estão sempre felizes, me rendo. Eu quero ser feliz também. Não o tempo todo, mas a maior parte dele… é possível? É sim. É só parar de ver a nuvem cinza do mundo. Chega de criticar tudo e todos o tempo todo. O mundo já é tão crítico, ranzinza, rabugento, cruel. Não vou engrossar o coro, não quero fazer parte dessa massa. Não vejo mais graça alguma em ser o personagem rabugentinho de todas as histórias. Eu vou me esforçar. Não vou criticar, não vou reclamar. Não, não e não.
Mas o mundo já é tão crítico – devo me mudar pra uma ilha? As pessoas criticam tudo. O que você se veste, o jeito que você dirige, as coisas que você fala, o jeito que você come, o jeito que você senta, o modo como segura o garfo. As pessoas criticam se você demora 4 segundos pra arrancar com o carro no semáforo aberto. Dentro dos próprios carros, reclamam baixinho – às vezes nem tão baixinho. Em pensamento, criticam cada palavra que você fala se o assunto não interessa. Às vezes, criticam se o assunto interessa também. As pessoas reclamam do trânsito, das filas, do calor, do frio, do trabalho, da falta dele, do chefe, do estagiário, do esmalte que descasca, da comida que demorou, do tempero que estava ruim, do filme que era chato, do fulano que só fala sobre moto.  Sem perceber, são as maiores responsáveis pela desordem de emoções que isso tudo virou.  E se antes era só reclamar, dar um xingo e passar pra próxima, agora veja que sensacional: dá pra registrar todas as reclamações na internet, em apenas 140 caracteres. As reclamações proliferam, uma grande nuvem cinza domina o mundo. Reclamam do calor, do atendimento no guichê do banco, da fila pra recadastrar o título de eleitor, do pneu do carro que furou, do salto do sapato que quebrou, do chuveiro elétrico que queimou, da empregada que faltou. Da história que o fulano contou.
Reclamam, reclamam, reclamam. Reclamam até que falta amor. Amor tem de sobra – o que falta é gente qualificada pra receber.

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