domingo, 24 de abril de 2011

Maravilhoso mundo moderno!

O problema das redes sociais é um só: elas existem. Tudo muito bonito essa coisa de tecnologia, ficar conectado com quem você ama a quilômetros de distância (Oi Cecília, Oi Jéssica!) mas a famosa crise tecnológica me atinge de tempos em tempos.
Sem a internet eu teria demorado muito mais tempo pra descobrir que amo escrever, não teria conhecido uma porção de gente legal por conta do simples fato de ter um blog. Mas às vezes me assusta um pouco, preocupa um pouco, cansa um pouco. Sou do tempo em que tínhamos amigos e não followers, íamos a festas e não “events”. Sou do tempo em que era só chegar, sentar e olhar o cardápio: não era preciso procurar uma rede wi-fi e fazer check-in para se tornar prefeito de porra nenhuma. Éramos simplesmente prefeitos de nossas vidas, de nossos segredos, donos de nossas rotinas – nem sempre interessantes, agora devassadas pelo nosso próprio exibicionismo.
A internet banalizou uma penca de coisas preciosas. O olho no olho, a voz do outro lado da linha, o coração disparado quando o telefone de casa tocava, a espera por alguém que podia aparecer naquela noite. Há quantos anos não sentimos a emoção de uma carta vinda de bem longe? Surpresas e expectativas em carne e osso. Nada era previsível – e a gente ousava rir da previsibilidade, da nossa e dos outros: “mas é óbvio que fulano vai estar lá”. Agora não mais: sabemos onde todos estão e anunciamos cada passo nosso também. A vida ficou mais prática, gastamos menos papel, tiramos fotos digitais, nossos emails atravessam o mundo em segundos. A vida ficou mais prática, mas também ficou mais sem graça. Um pouquinho de tudo o que a gente era morreu esmagado por tantos computadores e smartphones.

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