Volta-e-meia me vem à cabeça a célebre frase que alguém costumava me falar, “um lugar bonito, pena que tão mal povoado”. É assim que o mundo é, né? Tirando as favelas do Rio de Janeiro, até que a cidade é bonita. tirando o fedor de São Paulo, a cidade até que tem seu charme. Tirando o petit-pavê, até que Curitiba é agradável. E o ar que não é nada refrigerado em Foz do Iguaçu... e por aí vai… vai não.
O que estraga o mundo são as pessoas, só pra lembrar. inclusive fenômenos “naturais” como invasão de morros e fedor em rios são pura consequência de merdas (hahaha, essa foi sem querer) que já fizemos. O petit-pavê também! algum dia, alguém olhou para aquilo e achou que ficaria bonito pregar pedrinhas pretas e brancas nas calçadas da cidade. pra você ver que a gente não pensa MESMO antes de fazer qualquer cagadinha. Sabemos que jogar lixo no rio vai deixá-lo fedido daqui uns 10 anos, mas o futuro parece muito distante. Sabemos que a manutenção de pedrinhas é trabalhosa, que muitas delas vão soltar, causar tropeços, destruir saltos… mas o caminho mais curto é aquele que a gente já fez, né? dá-lhe petit-pavê na cidade toda.
Mas enfim. Ainda assim eu gosto do mundo. Por exemplo: poucos acreditam quando eu digo que não me importo de andar de ônibus. Mas é a mais pura verdade. Veja bem, se a pessoa não tem carro e nem disposição pra andar 8km até o trabalho, o mínimo que ela deve fazer é aceitar sua condição. Vou fazer o quê? Roubar um carro? Pegar carona na rabeira de caminhão?
E tem outra coisa. O ônibus que eu ando é um ônibus de família. É ônibus pequeno, do amarelinho, cheio de senhorinhas, alguns engravatados, estudantes, funcionários de firma e pessoas como assim como eu. É todo mundo limpinho, cheirosinho – quem nunca entrou num TTU-PONTE DE AMIZADE ou a LINHA 310 às sete da manhã nem sonha que existe gente cheirando a cecê ANTES de pegar no pesado.
Mas no meu amarelinho não. No amarelinho todo mundo tá limpinho às 7 a.m. a parte triste é que, gente, o chuveiro não limpa as pessoas por dentro, sabe. Todo mundo arrumadinho, roupa passada, carregando a pastinha da faculdade que não deve custar barato. E todo mundo mal-educado.
O sofrimento começa assim que eu chego no ponto do busão no terminal não tem fila. Ou seja, vira zona. Em pouco tempo, já peguei o macete que vai me garantir um confortável banco de plástico dentro do amarelinho: tem que esperar perto da porta. E pra isso, é claro, é preciso adivinhar aonde vai ficar a porta. Afinal, o ônibus não está lá ainda, né? E aí, na hora que o busão estaciona, é respirar fundo e rezar. As pessoas ficam ensandecidas, repentinamente todo mundo está apinhado, empurra-empurra pra tentar entrar no ônibus antes. Rola aquela muvuca tipo entrada de galera no estádio antes do show do ac/dc, saca?
E tudo isso pra quê, minha gente? Pra ir sentado. um mísero banco de plástico, escorregadio e tão confortável quanto sentar a bunda num toco de árvore. E daí tem o povo que precisa entrar naquele ônibus, que sai carregado de gente até o talo, motorista fecha a porta e vai comprimindo todo mundo pra dentro da latinha. E pra quê? Pra chegar 5 minutos antes, afinal hoje em dia Todo mundo vive com pressa, então é melhor ser mal-educado mas ao menos chegar no horário.
De uns tempos pra cá, diversas situações me fizeram repensar a forma como eu me coloco no mundo. Ser rabugenta e dona da verdade era super legal. mas o mundo é bem maior do que o meu umbigo, de modo que precisei rever vários contextos de socialização. Passei a tolerar coisas bem mais xaropes do que um busão cheio.
E passei a me expressar com mais parcimônia, o mundo não tem culpa se eu tenho problemas. Parei de deixar os cascos pelo caminho. E com isso fiquei assim, mais leve, menos mal-humorada, e essa tarefas corriqueiras obrigatórias deixaram de ser um fardo. ainda não consigo enxergar a poesia da vida, e não acho que essa seja a finalidade. E a ideia também não é fazer do mundo um lugar melhor, afinal tem mais bilhões de pessoas que precisariam compartilhar disso. Pra resumir, descompliquei certas partes da minha vida que não precisavam MESMO ser tão difíceis.
Resumo de tudo é que: 99,99% do mundo não sabe que a gente existe. E ainda assim, não nos esforçamos para ficar em paz com os 00,01% que sabe…
Resumo de tudo é que: 99,99% do mundo não sabe que a gente existe. E ainda assim, não nos esforçamos para ficar em paz com os 00,01% que sabe…
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