Já escrevi tantas coisas. De algumas, me orgulho. De outras, tenho vergonha. Confesso que sempre usei o blog para despertar atenções. Isso foi desde 2003, quando comecei a escrever no antigo blog besosensucuerpo, até creio, lá pelos começos de 2007 – quando percebi o quanto era tonto o ato de escrever para verbalizar emoções dirigidas a pessoas específicas. Em vez de me dirigir de viva voz a elas, canalizei para o blog a necessidade de falar.
Em algumas circunstâncias, fui notada e respondida, embora nem sempre correspondida. Mas na maioria das vezes, o fim de escrever acabou sendo o de angariar admirações e antipatias de pessoas às quais as mensagens não se destinavam. De dois anos e pouco pra cá, minha vontade de escrever tem se reduzido e atribuo isso ao fato de ter finalmente compreendido a tontice de usar o blog como mural de recados.
Sinto, porém, que muitos desses recados são peças que não eram tão herméticas, a ponto de transcender o objetivo inicial e obter simpatias diversas. De todo modo, sinto um tanto de vergonha pelo que passou e isso me retrai e tira o ânimo de escrever mais. Hoje, caminhando após o almoço, fiquei refletindo sobre isso e, apesar da vergonha que sinto, vejo-me com uma sensação de alívio por ter chegado à compreensão sobre essa atitude boba.
E confesso: escrevo para que me notem. Escrever, no fundo, é um ato de exibicionismo e de vaidade. Uma vaidade talvez ainda mais idiota do que a vaidade de quem quer ser reconhecido pela beleza do corpo. Porque, escrevendo, quero comunicar que me diferencio, que valho mais do que os outros. Escrever é pior do que ser exibicionista. E pior do que escrever é não escrever.”
Depois que a gente compreende que escrever mural de recados é uma tolice, a gente continua escrevendo. E não é só pelo exibicionismo. Eu escrevo para que alguém leia e se identifique. E eu leio pra me identificar com o que os outros escrevem. Porque pior que escrever é não escrever. Mesmo!
Escrevi algo sobre o ato escrever, hoje...
ResponderExcluirSaudades Hellen...