sábado, 19 de setembro de 2009

Sobre quando crescemos de verdade – e não somente nos discursos.


Ah, sim, houve mesmo um tempo em que era mais fácil pensar sobre isso. tinha exemplo (a.k.a. vida alheia) pra tudo e gostava de discorrer sobre assuntos que, a bem da verdade, nem sempre me diziam respeito.

Quem cresceu, quem retrocedeu, quem se deu bem, quem foi morar na indonésia. Quem superou, quem guardou rancor, quem fingiu, quem cedeu, quem mentiu. mudei de ideia sobre tudo o que importa na vida – mudança dolorosa, aliás. Vai deixando pelo caminho pessoas, histórias, convicções, discursos, desculpas que não pedi e aquelas que não aceitei, frases feitas, piadas prontas, cafés que nunca aconteceram. Mudei de ideia sobre música, não gosto mais de todas aquelas, e assim uma montanha de lembranças foram varridas pra dentro de uma caixinha que despachei pro passado. E sobre filmes, já que hoje sou dependente de seriados.

Mudei de ideia sobre roupas: a calça skinny, coitada, que já nem serve mais, perdeu espaço para peças cinzas. Uma cor da qual sempre duvidei. Mudei de ideia sobre espaço, preciso dele pra viver; e gosto mais do vinho tinto do que do branco. É melhor fazer um jantar em casa do que sair pra comer, todavida. mas não foi assim a vida toda… assim como as boas companhias são, hoje, aquelas que mais se parecem comigo. Não vivem felizes o tempo todo e nem estão em busca disso. Dividem o silêncio, os dias de mau humor, as neuras e os programas ruins na tevê.
Crescer de verdade é muito foda, é mesmo uma coisa que dói por dentro, impossível de transcrever aqui ou em qualquer outro lugar. Não sei se consigo passar por isso. Mas a verdade é que isso se põe diante do seu nariz quando já está acontecendo…

Mudar de ideia. Olhar pra coisas que eram importantes e perceber que não fazem mais sentido algum. Jogar fora aquele caderninho onde eu costumava anotar os “assuntos hypes” da vez para escrever longos textos sobre coisas que nunca vivi. E também as rolhas de campo largo guardadas, por anos a fio, no fundo de uma lata bonita. Aprender a viajar sem levar o próprio travesseiro na bagagem – uma das lições mais difíceis, eu acho: desapego de tudo aquilo que não faz parte do seu momento. Não é pra qualquer um.

2 comentários:

  1. E na bagagem muito mais do que a ausência de um travesseiro, as preocupações da origem; e na cabeça, a certeza do destino, não mais a aventura na indecisão.

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  2. óia só o comentário do Nanoooo.. praticamente um intelectual... hehihae

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