terça-feira, 13 de março de 2012

Quem sabe o último beijo.

Um beijo não substitui o outro. O último beijo não apaga o primeiro. E o próximo também não vai apagar aquele último. O último beijo é inconsciente: você não sabe que ele está acontecendo. Se soubesse teria aproveitado mais. Feito diferente. O último beijo teria sido mais longo, o abraço teria sido mais longo, aquele mísero instante que antecede o beijo teria sido mais longo. Pra valer cada lágrima que veio depois, cada noite em claro, cada palavra contida.
Eu acredito que a dor do coração partido é, em boa parte, a dor do último beijo. Do gosto e do cheiro que você não vai mais sentir. Entre tantas coisas perdidas quando alguém vai embora, o último beijo é o que dói mais. Afinal, quem sabe que ele é o último? Quando o carro dobrou a esquina, quando o avião decolou, quando a porta fechou. Era o último beijo e ninguém te avisou…

Nenhum comentário:

Postar um comentário