Tem duas coisas que eu não entendo nessa vida. Na verdade tem muito mais que duas, né? Cerca de um milhão trezentos e dezessete mil mistérios da Terra que eu não entendo. Mas vamos ao que é mais palpável, quem sabe algum leitor pode me ajudar nessa? Hm?
Eu não entendo os pobres de plantão. Queria, porque então eu seria desapegada como eles. Os pobres de plantão vivem falando que estão duros, falidos, sem grana. MAS tem viagens incríveis duas vezes por ano, trocam de carro, tem o celular da modinha, jantam em lugares caros, freqüentam baladas glamurosas e estão sempre desfilando roupas novinhas em folha – muitas delas com etiquetas que valem o meu guarda-roupa inteiro.
Me expliquem como isso é possível, porque eu só vejo duas opções: 1) as pessoas mentem. Não são pobres coisa nenhuma, são no mínimo classe média mas gostam de se auto-intitular pobres pra fazer parte do grupo. Que grupo, Nossa Senhora do Cheque Especial?
A segunda opção é que as pessoas acham bonito dizer “tô pobre”. O luxo no lixo. Eu não acho feio ter uma poupança secreta que teus pais fizeram ao longo da tua vida. Não acho feio você ter outras “fontes de renda” além do trabalho, seja mesada, pensão vitalícia da ex-mulher ou vender coxinha congelada. Contanto que você não roube de ninguém, cada um com seu dinheiro, uai. Também não acho feio você estar efetivamente/momentaneamente pobre, afinal dinheiro não dá em árvore. Força na peruca que um dia a conta volta pro azul. Feio é dizer “tô pobre” sem estar – segundo minha mãe versão 2010 – a mística – isso só atrai má sorte mesmo.
Depois de três parágrafos para falar sobre a “primeira coisa que eu não entendo” sobraram pouco mais de 140 caracteres no meu twitter cerebral pra falar sobre a segunda. Vamos lá: não entendo essas gentes que dão parabéns via twitter pra gente que nunca vai ler. Tipo: “hoje é aniversário da minha avó Gerúndia, parabéns pra vovó mais linda do mundo”. Cara: tua vó tem twitter?

Nenhum comentário:
Postar um comentário