domingo, 1 de agosto de 2010

As coisas para as quais não estamos preparados

(ou aquilo que não estava nos livros, mesmo)

Lidar com a perda, por exemplo. Não tem como ensinar isso. Agente só sabe a dor dos machucados quando cai de boca na calçada, quando prende o dedinho na porta. Mas perder pessoas é sempre doído, não tem remédio, merthiolate, band-aid, nada.

Perder pessoas - seja pra vida ou pra morte - deixa um buraco tão grande que nem sei se posso chamar isso de "dor". Porque dor tem cura, saudade não.

Dizem que o tempo ameniza, que dor vira lembrança. Será que vira mesmo?
Ninguém morre de saudade, ninguém morre de amor, aquilo que hoje frita seu coração daqui a um ano será só a lembrança de um dia difícil. Mas "daqui a um ano" é um dia tão distante...

Hoje lembre de todas as minhas grandes perdas. Do dia em que meu vô faleceu, aos pontapés que levei daqueles que eu chamava de "homens da minha vida". Passou? Passou.
Mas isso não é suficiente pra que eu tenha aprendido a passar de um jeito mais leve por estes dias difíceis.

A morte de alguém próximo, mesmo que fosse esperada, acabou comigo em segundos. A dor de amor que a minha amiga está sentindo desde ontem parece que é minha também.
Isso significa que não, a gente nunca aprende a lidar com a perda. Talvez a gente só aprenda, na verdade, a se conformar com esse tempo de espera, a longa pausa que se forma entre um fim e um recomeço.













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