domingo, 28 de fevereiro de 2010

Amar é...

… encontrar o cesto de roupas entupido num sábado pela manhã. pendurar cuecas. organizar a pilha de camisas para a diarista passar. duplicar a quantidade de fios de cabelo espalhados no chão do banheiro. Encontrar fios de barba feita na pia. disputar alguns centímetros quadrados no espaço da cama. “você está invadindo o meu lado”. Deparar-se com coisas como a louça eterna na pia e os copos espalhados por lugares inusitados da casa.

Seria mais cômodo adotar o discurso universal, aquele que todo mundo usa ao falar de sua vida a dois debaixo de um mesmo teto: “não é fácil, tem dias que não é fácil”. Isso explicaria pequenas picuinhas do dia a dia. Como se essas pedrinhas, juntas, pudessem justificar as dificuldades do exercício diário de convivência.

Eu adoraria poder usar esse discurso também, dizer que a vida a dois é assim mesmo, feita de altos e baixos, não é fácil, não é fácil.

Mas é que pra mim, gente, a vida a dois é fácil. É simples. Tão simples que eu apenas não sei como exemplificar ou justificar. Ninguém entenderia se eu dissesse que não me importo de lavar a louça ou as roupas da semana. Que já me acostumei a ter menos da metade da cama pra mim. Que existem coisas muito mais importantes a se fazer e resolver do que discutir um fio de barba que fugiu da esponja na hora de limpar a pia.

A nossa vida a dois é [..=/..] uma parceria de sucesso e nada mais. Não tem chave, segredo, mistério. Por isso é tão difícil explicar, nomear, justificar. Me lembra sempre de um texto, cuja autoria não recordo, que dizia “estavam juntos, sabiam-se lá e isso bastava”.
Odiaria ter a cama toda pra mim de novo depois de tanto tempo lutando pra manter aquele cantinho esquerdo. Não suportaria o vazio das noites e dos finais de semana ou a ideia de não ter com quem dividir a bacia da pipoca. nada teria graça se eu não tivesse alguém pra assistir filme ao meu lado enquanto eu (obviamente) durmo. Essas coisas pequenas, no meu caso, são muito maiores e mais importantes do que pratos sujos e tênis esquecidos no corredor da casa.
É por essas e por outras que eu digo, sempre, que viver é uma questão de ponto de vista. enquanto algumas pessoas enxergam a pilha de camisas para lavar, eu enxergo o homem maravilhoso que as veste todos os dias.

(p.s. i love you)

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